07 Novembro 2009

Achtung!




Eu vi alguns vídeos no youtube. Aliás, é o que estou fazendo agora.
Muitos me emocionaram, mas, esse, em particular, me comoveu. Procurei o título da música, a letra, mas não achei.
Na época das imagens, eu estudava alemão, mas esse língua linda e complexa está longe do meu cotidiano e acabo me lembrando de muito pouco.
Jogo na sorte, se for coerente, deve seguir a imagem.
Não vejo a Queda do Muro como o triunfo do Capitalismo ou coisa que o valha. Vejo a Queda como um dos momentos marcantes em que o Autoritarismo e o cerceamento das liberdades individuais foram derrotados.
Pelo que vi e li, jovens com menos de 20 anos não sentem o peso da Alemanha dividida, mas quem viu isso acontecer, sabe o que significa ver as imagens que aparecem aqui.
Eu era uma caloura em um curso de História, no tempo da queda do Muro e da quebra de muitos paradigmas.

04 Novembro 2009

Comportamento de manada com bois acéfalos


Há pouco tempo recebi um email de uma amiga que falava sobre o tal caso da Uniban. Eu não sabia, mas um pulinho no twitter me mostrou a cena insólita, do povo doido gritando contra a moça. Denise Arcoverde fala sobre o assunto e levanta uma lebre: se a moça fosse magra, isso teria acontecido? Porque magra pelada na rua é rotineiro, gordinha querendo ser sexy parece ser algo ofensivo aos olhos brasileiros.
Não sei.
Umas alunas disseram que ela "estava provocando". Claro que isso remete aos argumentos usados há poucas décadas, que desqualificavam o papel de vítima de mulheres estupradas, dizendo que elas "haviam provocado" por usar roupas provocantes.
Assim, mulheres que haviam sido vítimas de inúmeras agressões não podiam nem denunciar o crime, pois seriam tratadas como causadoras.
As constantes ironias em relação às mulheres agredidas pelos maridos levou a criação de uma delegacia especializada em crimes domésticos. Ainda assim, só com a recente lei Maria da Penha, a agressão doméstica foi realmente criminalizada e mão resolvida na base de meia dúzia de cestas básicas pagas pelo agressor.
Vi uma escritora no Roda Viva que explicava que o véu muçulmano tinha afunção de proteger....os homens. Sim, você leu certo. Em termos, os homens seriam destituídos de auto-controle, portanto, caberia as mulheres conservar sua imagem apagada, para que os instintos masculinos não fossem despertados.
Não me interessa se a roupa da garota estava adequado ou não. Se ela fosse de biquini ou nua, quem deveria discutir com ela a viabilidade do traje seria a instituição e nunca, nunca, deveria ser mote para agressões físicas ou verbais.
O comportamento de manada sempre me assusta. Alunos que escutam um maluco gritar e correm atrás dele, no afã de gritar também, são capazes de qualquer coisa.
Quando as pessoas seguem os "alfa" e agem como manada, se escondem na multidão e mostram atitudes que seriam impensáveis, caso tivessem que repeti-la sozinhos, de cara limpa.


Meus heróis morreram de overdose

























Durante anos procurei minha tribo. E vc?

02 Novembro 2009

Mix


Pela primeira vez, crianças bateram na minha porta no tal Dia das Bruxas. Eu havia comprado doces e adorei ser visitada por monstrinhos alegres, bruxinhas loucas por balas e mais dúzias de sorridentes fantasiados.
Um dos grupos, ao passar por último, ficou sem os doces, que haviam acabado.
Um fantasminha me tranquilizou:
- Não tem "ploblema" nenhum...
Eu achei o máximo.
Não torço o nariz para o "ralouím" tupiniquim, não mesmo. Penso na cultura como algo vivo e, portanto, necessariamente dado a miscigenações.
Aqui pode bater saci ou bruxinha, porque sempre vai rolar bom humor na recepção a qualquer um desses.
E vamuquivamu.

01 Novembro 2009

Lúcio 80/30


Na sexta feira, enquanto eu tomava um café com a Lidiane - a fofa blogueira do Bicha Fêmea - apareceu, toda esbaforida, uma vizinha e amiga.
Ela, Cláudia, havia ganhado dois ingressos para uma peça em cartaz no teatro de Paulínia e estava me procurando para irmos. Fomos, claro, eu topei na hora, sou sempre facim, facim quando o programa é bom.
O teatro é uma construção monumental. Cafona, como é praxe nas construções de Paulínia, famosa aqui na região por seus portais horríveis.
O interior do teatro, entretanto, se mostrou confortável, grande, bonito, bem estruturado. Muito maior do que os teatros de Campinas e, sem dúvida, multo melhor aparelhado.
A peça em questão era sobre Lúcio Mauro e Lúcio Mauro Filho, ambos comediantes com anos de estrada, bem digeridos pela Globo.
O fato é que a idéia de fazerem um trabalho juntos vem no momento em que o pai tem um piripaque e vai para o hospital. Na noite em que passa fazendo companhia ao pai, filho tem a sacada: eles devem fazer uma peça, uma peça juntos.
Assim, a peça é sobre a peça: como montar, o que dizer, quem chamar.
A brincadeira com a metalinguagem dá o tom da obra.
Eu gostei, ri, achei uma graça a platéia aplaudir várias vezes em cena aberta. Entretanto, acho que o momento poderia ser aproveitado com alguns causos da história de Lucio Mauro, coisa que eles fazem pouco. Acho que o momento remember poderia ser mais explorado até para alguns ajustes de contas, que sempre ficam.
Achei tocante quando o filho, negociando um tempo a mais para o pai, diretamente ali, com Deus, diz;
"Eu sei que ele já fez tudo que queria, viveu bem, eu sei que ele está preparado pra ir. (pausa) Eu é que não estou"
Rindo ou achando comovente sem ser piegas, me diverti muito.
Recomendo, crianças.

27 Outubro 2009

Eu prefito ser uma Metamorfose ambulante...


Eu sempre achei que as pessoas organizadas fossem pessoas chatas. Escrevi sobre isso aqui, falando (mal) de professores organizados. Porque, efetivamente, os professores mais organizados com quem trabalhei eram...organizados e só. Limitados e rígidos como formigas em fila, desesperados por qualquer mudança, qualquer inovação.
Eu pensava, equivocadamente, que as pessoas organizadas eram sempre pessoas sem criatividade.
De certa forma, ser bagunçada fazia parte da minha personalidade, era como eu me definia, era como me definiam. Não foi à toa que escolhi "A Casa da Mãe Joana" como título para o blog. Até pouco tempo, o subtítulo era" uma bagunça de ideias" e na lateral, tudo era regido pela palavra "baderna". Substitui por "Casa" e retirei o subtítulo, porque as palavras tem poder, e tem muito poder.
Nesse ano, 2009, descobri que organizar pode ser um exercício de criatividade. Claro que não é nada parecido com os meus colegas chatérrimos, entediantes...não, não.
A nova organização que me proponho a seguir é inspirada em vários blogs bacanas que estão linkados aqui ao lado, como o Chega de Bagunça, Arrumadíssimo, Atelier Ordenar...e tantos outros. Gente, um charme. Uma forma delicada, criativa, de lidar com o seu próprio canto, redescobrindo as delicias de tornar a sua casa cada vez mais personalizada.
O fato é que desde que me "converti" à arrumação modifiquei muita coisa na minha casa: estou tentando adaptá-la a sabedoria do Feng chui, arrumei armários em demoradas semanas onde descbri provas minhas de vestibular(!!!), fotos esquecidas, roupas inúteis e cartas de amor. Tudo foi selecionado, a cesta de lixo foi grande, bem grande, porque muita coisa que faz sentido em um tempo, passa a ser inútil depois.
Claro que muita coisa foi guardada, mas guardada direito, com carinho, não jogada "pra ver depois". A sensação de controle é interessante.
Há pouco tempo, quando eu procurava um livro ou cd, ele poderia estar na estante, no rack, no freezer, no banheiro...sei lá. Agora sei. Agora sei onde as coisas estão e eu as controlo, não o contrário.
Nesse frenesi organizador, entrou o capricho, as flores, os aromas. E a minha casa, que já era meu lugar predileto no mundo, ficou ainda melhor.
Nem entendo como vivi quatro décadas com tanta bagunça. Não sabia que ser assim seria tão bom, tão saboroso.
Estou , hoje, absolutamente convencida de que a arrumação da casa, dos armários, das gavetas (ah, as gavetas...) refletem totalmente o estado de espírito da pessoa.
E nessa mudança, não renego a antiga Vivien, a "dona da baderna", como eu me definia aqui no blog. Mas não preciso do caos pra me explicar, não preciso mais.
Bem vindos, essa é a Casa da Mãe Joana, versão arrumadinha.



(foto retirada da internet)

24 Outubro 2009

O passado bate a sua porta






Ok, ok, um dia, beeeem distante, beeeem distante mesmo, pode até ser que eu tenha gostado - um pouco - de carnaval. E aí ficou esse registro: vestida de marinheira em Caxias, eu mereço, eu mereço.
Mas, me digam, não parece uma propaganda de coca-cola? Ah, esses terríveis anos 70..

22 Outubro 2009

Maus


Depois de anos, finalmente li Maus. Para quem ainda não se deparou, fica a dica, procure uma boa livraria com uma sessão razoável de HQ e leia, leia já.
Maus já pode ser considerado um quadrinho clássico.
(Bem) escrito por Artie Spiegelman, Maus narra a história de seus pais na Polônia quando da ascenção do nazismo, passando pelo gueto e culminando em Auschwitz. O autor optou por construir essa narrativa concomitantemente com a narrativa da própria coleta da história. Assim, podemos ver Artie conversando com Vladek, seu pai, ao mesmo tempo que ouvimos/lemos e, obviamente, sofremos com a história do próprio Vladek.
Artie retrata judeus como ratos - uma interessante ironia envolvendo a forma como eram descritos pelos nazistas da época - os alemães como gatos, americanos como cães.
A fluência da história é incrível, impossível parar de ler, viciante e asfixiante ao mesmo tempo. Poucas vezes vi uma descrição da fome com tanta vivacidade.
Vladek possui hábitos regrados e um senso de economia que vai às raias da loucura. Porque me parece que, emocionalmente, ele não conseguiu sair de Auschwitz, portanto, sua relação com a realidade é diferente.
Além de retratar a bela história de amor dos pais, o sofrimento do Holocausto, Maus consegue trazer a baila uma conflituosa relação entre pai e filho. Nesse caso, entre pai e filho judeus, com toda a carga, todo o peso da guerra, dos campos de concentração e da sobrevivência.
Ler Maus é uma necessidade.