27 maio 2008

Vivien e Viviens


Eu estava lendo o Zander quando pulei da cadeira: na última frase, o personagem responde "não sei, Vivien."
Pensei no ato: o que estou fazendo aqui?
Depois, saída do surto egocêntrico, percebi que existem outras Viviens no mundo.
Mas eu tenho uma boa desculpa pra isso. Nunca, nunquinha estudei com nenhuma Vivien, trabalhei , conheci. Nunca gostei ou desgostei.
Durante anos fui só eu e a maluca de E o Vento Levou.
Ah, claro, teve a personagem de Uma Linda Mulher.....aquele "clássico".
Vocês aí podem não ter notado, mas eu notei cada vez que o Richard Gere dizia "Vivien".
Uma hora, ele fala meio bravo, saca homem sexy meio bravo? Coisa de doido.
Uma hora , no final, quando ele finalmente escolhe ficar com ela,grita o meu nome, com flores e todo amor pra dar. Vida pra dar, destino, opção, escolha, tudo o que ela desejava.Ai, ai.
E eu confesso: parava o filme e repetia a cena, uma, duas, infinitas e deliciosas vezes.
"Viiiiivieeeennn......."
Um amigo me disse que é de origem celta e significa vida. Não sei se é, mas achei bonito e repito por ai, vendo o peixe pelo preço que comprei.
Mas o pior de tudo é que minha mãe leu um daqueles açucarados romances onde as heroínas tem nomes duplos e .....bom, vamos lá, confesso: é Vivien Christina.
Assim, com esse h no meio, assim mesmo. Pode sacanear.
Mas tem um quê de personagem de novela mexicana, certo?
- Você não pode me deixar Vivien Christina...!!!!
- Ah, vá pro inferno Luiz Eduardo...!
( sobe a música)
Faz alguns anos, tive uma aluna com esse nome. Ele parece ser meio comum nas novas gerações. Mas na minha geração ainda sou rara.
Era engraçado falar:
- oi, Vivian.
- oi, Vivien.
E duas bobocas riam, porque eu juro, foi engraçado chamar alguém com o meu nome, pela primeira vez na minha vida.



**** esse texto foi publicado originalmente em dezembro de 2006.

22 maio 2008

Samba à paulista


Então, foi mais ou menos assim: eu estava na casa da minha mãe, blogando feliz da vida, quando Tati me convidou pra ver um
show delicioso, a gravação do dvd do pessoal do Cupinzeiro, fazendo samba paulista.
Fomos, claro. Ando enfiada em casa, lendo e vendo filmes, sair pra ver Cupinzeiro era realmente um convite irrecusável.
O show foi em cima: como eu comentei na comunidade deles, um tom melancólico, aquela aura nostálgica bacana que só quem pesquisa sabe dar às composições. Edu de Maria ensaiou uns passos de Exu que combinaram perfeitamente com as músicas, Anabela, com voz incrivelmente límpida, emocionou mesmo, eu gostei horrores.
Até tentamos dar parabéns pro Bruno, porque sua parceria na composição foi realmente incrível, mas o fulano saiu rápido, nem deu pra falar um oi direito.
Preciso achar no youtube pra vocês ouvirem: tem um clamor de senzala, uma coisa que dói ao ouvir. Imperdível.
Tati é um inferno, vocês sabem: cismou que ia cheirar o cabelo rasta de um fulano, porque queria saber que cheiro tinha. Claro que eu tentei correr, mas a despeito de tudo que eu implorei, foi lá e cheirou.
Foi categórica:
- Cheira sofá. No máximo uma cortina velha.
De lá, após o show e o cabelo-cortina, fomos pro Mexicano ( ex-Caicó) ver Ugo e outros músicos.
Destaque para Preman : uma neo Elis com uma voz deliciosa.
Eu sempre digo por aqui que a Tati é minha gurua e funciona assim mesmo: gosto da forma aberta e profunda com que ela vê a vida e as relações. Obviamente isso temperou nosso papo-mulherzinha, onde falamos de relações, perdas, filhos e esses homens, desjáveis, incríveis e - quase sempre - incompreensíveis.
Pois é, queridos, samba `a paulista, iguaria da boa.

**** atualização *****

Comprei o cd do Cupinzeiro agorinha mesmo, quem quiser um, passe na Livraria Cultura.
E bom apetite.

21 maio 2008

O Vôo da Vaca








Eu tenho uma jovem amiga que adoro, trabalhamos juntas em uma escola, fizemos amizade em pouco tempo. Sempre gostei dela.
Há uns poucos anos, sentadas em um bar da cidade, ouvíamos seu namorado tocando. Jovem, bonito, músico...estava cercado por uma manada de mulheres enlouquecidas pra quem a noção do ridículo era um conceito pra lá de abstrato.Ela olhava, olhos vidrados, mão crispada e só tinha uma palavra pra todas elas:
- Vacas.
Eu ria, tentava relativizar, dizendo - o que era verdade - que eles tinham um relacionamento legal, que se gostavam, etc e tal.Não adiantava eu repetir que sempre haverá uma fulana sem noção pra atrapalhar,afinal, é a lei da selva.
Em dado momento, eu tentava apelar pra sua auto estima, pois ela era efetivamente não apenas mais bonita como, provavelmente, mais inteligente que aquele séquito patético.
Mas ela olhava pra turba e repetia.
- Vacas.
Tempos depois, trabalhando em lugares diferentes, nos encontramos e papeamos. Perguntei como ia o assédio sobre o namorado músico e ela me contou uma história, aliás, A história.
Em uma noite, irritada com aquilo tudo, ela bateu boca com o namorado.
Uma das donas das calcinhas em promoção tentou interferir, entrar na briga do casal.
Nem imagino como alguém pretente sair ileso entrando em uma briga de casal, mas a fulana foi lá, toda amiguinha.
Minha amiga, percebendo o nível do cinismo da amiguinha, sugeriu amigavelmente que ela " tirasse o traseiro gordo dali".
Ante a insistência da fulana, minha amiga, tomada por forças maiores, com as quais me identifico, JOGOU a criatura de onde eles estavam, sendo que a criatura se estabacou na calçada, poucos metros abaixo.
Eu juro pra vocês que eu sou uma boa pessoa, sério, juro mesmo. Mas que eu pagava pr ver essa vaca voando, ah, gente, pagava.


****Esse texto foi escrito para A., a autora do feito e foi publicado originalmente em 2007.
Algumas conversas com uma amiga muito querida sobre ciúmes e mulheres loucas me lembraram dessa história.

20 maio 2008

O banho


Já disse aqui que esse ano não começou bem pra mim, problemas profissionais sérios que me fizeram ser meio estúpida com uma amiga que estava com crises balzaquianas, disse que não queria ouvir papinho sex and city porque tinha coisas muito mais drásticas pra pensar. Como contas, por exemplo. É real, mas eu não precisava ser grossa.Pedi desculpas, mas já tinha falado, é fogo isso.
Mas a angústia dos problemas práticos fazem a gente tomar umas atitudes meio patéticas. Exemplo: eu vou em uma igreja católica eventualmente. Nunca pra missa, porque o povo lá é da Renovação carismática e se uma missa já é algo com o qual eu não me identifico, esse povo doido me afasta ainda mais.
Não quero elocubrações teológicas, minha necessidade de fé é visceral e gosto disso. Não estou nem aí pra discutir a real existência de uma divindade, não me interessam questões filosóficas, minhá fé é reconfortante e chega. Evidentemente a relação homem-religião me interessa e quero discutir, mas a relação homem-fé é muito íntima, ancestral. Durmo se esse papo vem a tona.
Enfim, eu dizia que... eu curto a tal igreja, ela é meio estranha, tem uns rituais: escrever pedido em papel , amarrar fitinha, coisas assim. Um primo da minha mãe, que é me conhece bem e é muito meu amigo foi peremptório:
- Você gosta porque é meio macumba, fala a verdade....
Tai, tem um climinha meio ritualistico, meio pagão-cristão, meio macumba, que eu me amarro.
Outro dia fui lá: tem uma fonte de água benta (eu sei, nem me venham com argumentos racionais porque sei que vcs estarão certos, mas não tô nem ai..) e eu fui lá, com garrafinha, pegar a tal água. Aí decidi molhar a testa, aí...molhei testa pra abrir a mente...decidi molhar o coração,prá ver se esse desgraçado não me sacaneia mais.... rins, por motivos que já contei aqui.....e comecei a praticamente tomar banho na tal torneira-benta.
Minutos depois, durante meu banho-bento, chega um fulano: cabelo comprido, todo tatuado, carregando uma garrafa de dois litros. Sério, uma garrafa vazia de coca-cola pra encher de "água benta" da torneira. Pior do que eu, vocês já viram tudo.
Rapaz, o cara toca a jogar água também. Dois retardados tomando banho de água benta: a perua aqui, com salto alto e unhas vermelhas e o porra-louca lá, tatuado e cabeludo. Só alegria. Ou melhor, só desespero mesmo, surto em dupla.
Merecia uma foto.



******Esse texto foi postado no ano passado, hoje, além das minhas opções religiosas terem mudado - tema pra outro post - minha vida profissional também mudou.
Decidi republicar porque o tema "causos" foi citado no post anterior e porque esse post é um dos que R., um leitor fiel, gosta muito.

16 maio 2008

15 maio 2008

Convite








Queridos leitores, o assunto "blogs" sempre me interessou, desde que descobri esse universo, há cinco anos, primeiro como leitora, depois como blogueira.
O bacana é ver como existem inúmeros pesquisadores - alguns linkados aqui ao lado - que desenvolvem trabalhos sobre esse tema.
Como eu já disse várias vezes, concordo com quem acha que essa democratização da informação e da criação é uma revolução sem igual.
Para quem, como eu, se interessa por esse tema, tenho um convite.
Meu querido amigo, professor, blogueiro e "pai" desse blog, Tarcísio Torres, vai defender sua dissertação de mestrado no mês que vem. Eu não vou perder, e você, vai?

Título do trabalho: "Blogs e as ferramentas de publicação pessoal no processo de construção de subjetividades" (mestrado). Candidato: Tarcisio Torres Silva. Orientador: professor Hermes Renato Hildebrand. Dia 20 de junho de 2008, às 14 horas, na sala 3 do prédio de pós-graduação do Instituto de Artes - UNICAMP

12 maio 2008

A volta do "Cansei"?


Salva pela tv a cabo, desisti de assistir novela.
Eu gosto de novela, gosto mesmo. Não gosto é de novela chata ou que me irrite demais.
Essa que passa às oito eu até gostava, apesar de tudo.
Tinha uma simpatia pelo personagem ambíguo e idiossincrático da Marília Pêra. Mas o que houve por esses dias? Cenas de perua enlouquecida, gritando "cheeeeega!!!" histericamente. Tô pouco me lixando pras peruas desse país. Estou pouco me importanto com elas e suas necessidades, tendo em vista as necessidades gritantes que tem a maior parcela da população.
As alfinetadas de quinta categoria - simplistas, reducionistas, tolas - que o autor faz para o governo são patéticas. Mas essa personagem revisitando o já totalmente ridicularizado movimento(???) "Cansei", me deu engulhos.E é um desperdício com uma atriz do gabarito inquestionável de Marília Pêra, sempre fantástica..um desperdício de talento.Ver uma de minhas atrizes favoritas com cenas dessas me deixa irritada mesmo.

Me salva, Gilberto Braga!